D. A. de Biblioteconomia UFPE

A UNE deve apoiar o Governo Lula? E a participação dos partidos nas entidades estudantis?

Algumas semanas atrás divulguei uma pesquisa realizada pelos alunos de administração da UFPE, coordenada por mim, que mostrava como pensam os jovens que fazem curso superior no Recife. Quando estudante participei de um momento importante do Movimento Estudantil, primeiro como presidente do DA do meu curso, e depois como Presidente do DCE. Era a época do Fora Collor, onde o movimento estudantil acabou sendo resgatado por um fator externo. À época acredito que por ser de um curso mais aplicado, como administração, minha cabeça e minha movimentação estudantil era muito identificada com o pragmatismo. Duas semanas atrás juntei em minha sala na UFPE três jovens lideranças do movimento estudantil da UFPE para uma conversa, para saber o que pensavam, e como viam a universidade: 1. Virgínia Barros, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco, estudante de Direito da UFPE 2. Rafael Sena, presidente do DCE da UFPE, estudante de história 3. Tamira Malvezzi, presidente do DA de Direito da UFPE O primeiro fato positivo é que nenhum dos três se identifica como o típico estudante profissional, que apenas está matriculado em um curso superior para cumprir tabela, quando sua verdadeira tarefa é ser dirigente de entidade estudantil. A partir de hoje começarei a colocar alguns posts (sempre que possível), sobre assuntos discutidos, para tentar entender a cabeça das lideranças. Tentei identificar alguns pontos importantes sobre a Universidade e o Movimento Estudantil, e comparar com a pesquisa que fiz. Segue alguns pontos da conversa para debate.

 O que aconteceu com o Movimento Estudantil?

Rafael começou a conversa falando hoje da dificuldade que a UNE tem em se posicionar em relação ao Governo. Que em muitos momentos apóia de maneira incondicional, sem ao menos ter independência do debate. Segundo ele, existe uma opinião formada em parte dos estudantes e da sociedade, de que a entidade foi totalmente aparelhada pelos partidos, e que a política de apoio do PCdoB acaba sendo a política oficial da UNE.

Tamira concordou, e falou que a UNE em certos momentos passou o sentimento de que está paralisada, como no caso do escândalo do Senado, em que a entidade não mobilizou as universidades para a discussão.

Virgínia defende a entidade, dizendo que é necessário reconhecer os avanços do Governo na área educacional. E que em alguns momentos a entidade se mobilizou, como no “Fora Meirelles”, em alusão a um movimento para derrubada do Presidente do Banco Central. Mesmo assim considera como natural que a entidade se posicione como aliada do Governo em alguns momentos, mesmo mantendo a independência.

A partidarização do Movimento Estudantil

Em conversas com estudantes, há uma espécie de senso comum de que as entidades estão aparelhadas pelos partidos políticos.

Virgínia está acabando o curso de direito este ano, é filiada ao PCdoB, e acabou de tomar posse na UEP. Tamira e Rafael não são filiados a partidos políticos.

Virgínia considera como natural, já que a maioria dos jovens que se interessa por movimento estudantil também gosta de política, e considera natural que estes acabem participando de um partido.

Questionei se isso não acabava restringindo o posicionamento das lideranças ao que pensa o partido. Ela me respondeu que não, mas respondeu positivamente quando perguntada se discutia primeiro no partido, antes de ir se posicionar na entidade.

“Discutimos realmente na fração do partido (pessoas do PCdoB que fazem parte do Movimento Estudantil), mas isso não quer dizer que não tenhamos nossas opiniões. Mas preferimos discutir em grupos antes”, diz Virgínia, que acha que a participação partidária deve inclusive ser estimulada.

Já Rafael Sena foi categórico: “a presença de partidos políticos é nefasta no movimento estudantil. Deveria ser exterminada, pois a posição da entidade fica sendo direcionada pelos partidos, e não necessariamente pelo interesse dos estudantes.”, e completa, dizendo que “os partidos políticos tratam a UNE como uma escolinha de formação de quadros do partido”.

Já Tamira tem uma posição mais flexível, dizendo que “é impossível querer que as pessoas não sejam filiadas, pois se gostam de política, acabam se envolvendo em algum partido”.

Este questionamento faz sentido, pois a maioria dos estudantes realmente não participa de vida partidária, e nem ao menos faz suas escolhas eleitorais pelos partidos. Na pesquisa realizada pela UFPE, apenas 14% dos entrevistados escolhiam seus candidatos pelos partidos.

Fonte: Acerto de Contas
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12 de Setembro de 2009 - Posted by | Não classificado

1 Comentário »

  1. Muito interessante esse post, acredito que o caminho para uma nova identidade do movimento estudantil é esse, discutir e refletir sobre as opniões divergentes no cenário político estudantil. Nesse meio queria colocar aqui o posicionamento da ExNEBD enquanto ao partidarismo do movimento estudantil;

    Pelo movimento estudantil livre, sem interferencia de partidos políticos!!!

    Comentar por Pietro Santiago | 14 de Setembro de 2009 | Responder


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