D. A. de Biblioteconomia UFPE

Diretor de escola recolhe livros com palavrões de biblioteca em União da Vitória (PR)

O diretor de um colégio estadual de União da Vitória, no Paraná, retirou dois exemplares dos livros “Amor à Brasileira” e “Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço” da biblioteca da escola e denunciou o conteúdo das obras ao Ministério Público do Estado por considerá-las “pornográficas” e “pejorativas”.

Brugnago, que também é vereador pelo PSDB na cidade, pede que todos os exemplares dessas obras sejam retirados das escolas públicas do Paraná. Os livros foram distribuídos às escolas pelo PNBE (Programa Nacional das Bibliotecas Escolares), do governo federal.

Segundo o diretor, os livros retirados foram entregues ao Ministério Público Estadual para análise. A representação foi feita em 18 de maio.

“A literatura brasileira é tão vasta e tão rica que não precisa utilizar de termos tão baixos em livros de escola. Tem tanta coisa mais importante para ensinar”, disse o diretor. O Colégio Estadual São Cristóvão tem cerca de 2.000 alunos de ensino fundamental e médio. As obras eram destinadas ao ensino médio.

No livro “Amor à Brasileira”, Brugnago critica um dos contos da obra, escrito pelo jornalista Rodolfo Konder, que recebeu o Prêmio Jabuti de Literatura em 2001. O diretor argumenta que o texto tem conteúdo pornográfico e traz termos chulos, como “buceta”. Na outra obra, do quadrinista Will Eisner, Brugnago aponta cenas de sexo e violência em quadrinhos.

José Jackiw, do Núcleo Regional de Educação de União da Vitória, que representa a Secretaria da Educação do Paraná, criticou a medida. Segundo ele, a atitude denota censura.
Na próxima semana, Jackiw deve se reunir com o diretor para pedir explicações e perguntar por que o Núcleo Regional não foi consultado antes das medidas. O caso deve ser encaminhado à secretaria.

O Ministério da Educação informou que a escolha de todos os livros distribuídos pelo PNBE segue critérios técnicos apontados por universidades. O ministério disse ainda, por meio de sua assessoria, que não pretende retirar os dois títulos do programa e que o diretor age por “obscurantismo”.

Fonte: Folha online

22 de Junho de 2009 Posted by | Não classificado | | Deixe um comentário

Censura a livros chega ao Paraná

A onda de caça a obras literárias disponíveis em bibliotecas escolares chegou ao Paraná. O vereador Jair Brugnago (PSDB), de União da Vitória, na Região Sul do estado, retirou das prateleiras da biblioteca da Escola Estadual São Cristóvão, onde é diretor, duas obras literárias indicadas para alunos de ensino médio. Após considerar o conteúdo dos livros inadequado, Brugnago entrou com ação no Ministério Público do município para pedir que todos os exemplares de Amor à Brasileira – que reúne vários contos, dentre eles um de Dalton Trevisan – e Um Contrato com Deus – e Outras Histórias de Cortiço, do escritor americano Will Eisner, sejam retiradas de todas as escolas da cidade. A retirada dos livros é criticada por especialistas (ver matéria nesta página).

As obras são enviadas pelo Ministério da Educação, por meio do Programa Nacional das Bibliotecas Escolares (PNBE), às escolas públicas de todo país. Elas fazem parte de uma lista selecionada e analisada por uma comissão de professores universitários da área selecionados pelo MEC. Os livros só chegam às bibliotecas das escolas depois de aprovados. A ação do vereador ocorreu após casos semelhantes em São Paulo e Santa Catarina. Em São Paulo, o conteúdo de Um Contrato com Deus já havia sido questionado por alguns educadores (leia box) por conter cenas de violência, sexo, estupro e pedofilia. Escrita em 1978, a obra recria memórias da infância do autor, vivida em um cortiço do Bronx, em Nova Iorque, nos anos 30. Eisner é considerado um dos artistas mais importantes de histórias em quadrinhos e da cultura popular do século 20.

Para a doutora especialista em leitura Marta Morais da Costa, professora da pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), a literatura tem uma característica de descompromisso com a escola. “Há uma incompatibilidade entre a proposta da literatura e de uma escola sistematizada e normativa. A escola foi convertida num espaço e recebeu a função de passar cultura escrita para as crianças, coisa que famílias e outras instituições sociais não fazem”, diz. A professora ressalta que toda situação de censura leva a extremos. “Começa devagarinho e logo vamos ter uma pseudo literatura pasteurizada nas escolas”, ressalta.

Fonte: Gazeta do Povo

17 de Junho de 2009 Posted by | Não classificado | | 4 comentários